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Congresso fortalece categoria
6º Congresso Metalúrgico traça plano de ações para a categoria e muda alguns artigos do Estatuto

A abertura do encontro foi na noite de sexta-feira, 28 de janeiro, com a presença do patrono do Congresso, o professor Carlos Lessa. Entre os convidados, representantes da Federação Interestadual dos Metalúrgicos do RJ/ES (Fiem); do Sindicato dos Operários Navais de Niterói; da CUT-RJ; e de partidos ligados à classe trabalhadora, como PCR, PCdoB e PT.

Maurício Ramos, presidente do Sindimetal, saudou os presentes e disse que Carlos Lessa fora escolhido patrono por causa das identificações de idéias com os metalúrgicos e a classe trabalhadora. Entre estas identificações, o fortalecimento da economia interna e da soberania do País, com mudanças na atual política econômica, que precisa acabar com o superávit primário (exigência do FMI), e reduzir a taxa básica de juros.
Maurício também lembrou que a atuação do Sindicato dos Metalúrgicos não se restringe à luta por salário, mas também batalha por políticas de empregos, manutenção e ampliação de direitos, e por mudanças conjunturais no governo central brasileiro.

Mudanças já – Em sua fala aos metalúrgicos e convidados, o professor Carlos Lessa usou de números para ilustrar a atual situação econômica do Brasil. Disse que a força produtiva do Brasil é formada por 80 milhões de pessoas. De acordo com os dados oficiais, destes 12 milhões estão desempregados. “Mas este número é bem maior, pois não contabiliza, por exemplo, os que já desistiram de procurar emprego.” O mais grave, para Lessa, é que cerca de 40% deste total são jovens, “que estão se formando sem esperança num futuro possível de realizar seu projeto de vida”.

Para ilustrar a estagnação que econômica que o País vive, Lessa também recorreu às estatísticas. “Há dois indicadores determinantes da saúde de uma economia: a indústria de bens de capitais e a engenharia. Os cursos para engenheiro já foram ultradisputados, e hoje praticamente sobram vagas; e a indústria de bens de capitais, que na década de 80 movimentava 21 bilhões de dólares, em 1994 já movimentava só 17 bilhões”. Este ramo da indústria é ilustrativo porque fabrica máquinas e equipamentos, ou seja: instrumentos de produção, que geram crescimento e empregos.

Lessa criticou o atual cenário econômico, e disse que por trás da política de Henrique Meireles no Banco Central está a intenção de enfraquecer a atuação dos bancos fomentadores de desenvolvimento, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES, presidido por Lessa até outubro de 2004).

O professor Carlos Lessa também explicou aos presentes como as altas taxas de juros engessam a economia, e citou o exemplo da Argentina, país que teve “a mão de Deus” na questão dos recursos naturais, e literalmente quebrou no final de década de 90: “A Argentina tinha petróleo, quedas d’água (energia) o melhor solo do mundo para plantio e um sistema de educação que era o melhor da América Latina. E o que aconteceu? Privatizaram uma empresa atrás da outra, e o Estado praticamente desapareceu. É esta situação que precisamos evitar: uma argentinização do Brasil”.

Debates e resoluções

Após a abertura do Congresso, na sexta-feira 28, o plenário ainda aprovou o Regimento Interno e as formas como se dariam as discussões, no dia seguinte, sábado.
Participaram do 6º Congresso 124 delegados, de dezenas de fábricas, além de convidados. As discussões e deliberações incluíram temas de conjuntura, nacional e internacional, passando por uma avaliação da realidade da categoria, e ainda mudanças no Estatuto do Sindimetal.

Na conjuntura nacional, a grande maioria dos metalúrgicos avaliou que vivemos um período de transição: tivemos avanços importantes como investimentos no mercado produtivo (siderurgia, bens de capitais, softwares, setor naval, beneficiando, por exemplo, a Nuclep, que constrói o casco da P-51) e na política externa, que resultou num aumento recorde das exportações. No entanto, o governo Lula ainda não conseguiu se libertar da herança maldita de FHC (política econômica); e deliberou-se apoiar o governo Lula, mas na direção das mudanças reclamadas pela classe trabalhadora (sobretudo redução na taxa básica de juros e a extinção do superávit primário, que envia dinheiro para fora, pagando juros, em vez de investir na produção e na geração de empregos).

As discussões da conjuntura internacional condenaram energicamente a política externa do governo de George W. Bush, que sufoca os países pobres e em desenvolvimento, e está até anunciando guerras não contra o “terror”, mas contra a “tirania”, ou seja: a quem se contrapor aos seus interesses, como econômico, geopolítico e bélico (aí incluídos Venezuela, Cuba e Irã).

Algumas das principais deliberações do Congresso foram alterações estatutárias na carta que rege a atuação da diretoria. Entre as principais deliberações, estão: a mudança do nome do Sindimetal (que agora é simplesmente Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro); a mudança da sigla (que agora é Sindimetalrio); a inclusão de três municípios em nossa base (Guapimirim, Mesquita e Seropédica); aumentos na estrutura da diretoria e da Executiva (a Executiva tem agora 15 membros); e também mudanças referentes aos aposentados, por sugestão do Grêmio.
Os metalúrgicos deram mais uma demonstração de sua consciência de classe e histórica, dentro dos objetivos de um novo rumo para o Brasil.

Leia o texto final das resoluções do 6º Congresso Metalúrgico


 

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