Ano 88 - Ed. especial mulher - 3 / 2005

 

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Igualdade de oportunidades

No Brasil, as mulheres respondem por 43,9% da força de trabalho. Mas ganham em média 31% menos que os homens, são mais discriminadas, sofrem mais as violências trabalhistas (como assédio moral), são as mais atingidas pelo trabalho precarizado e, com a dupla jornada, trabalham até 90 horas semanais. Nesse contexto, cresce a feminilização da pobreza.
Por isto, a questão da mulher, hoje, se insere diretamente com tudo que envolve o mundo do trabalho. E uma luta central das mulheres é pela valorização do trabalho. Entre as medidas propostas, a luta pelo aumento do salário mínimo; contra as desigualdades salariais; pela aplicação da convenção 100 da OIT (salário igual para o mesmo trabalho) e 111 (contra discriminação de gênero, etnia/raça e religiosa); contra a precarização da CLT; e lutar para que o trabalho no âmbito familiar seja compartilhado (homens e mulheres), assim como a responsabilidade com os filhos; e também do Estado, com políticas públicas (creches, escolas e saúde de qualidade).
Qualificação metalúrgica – A maioria das empresas em que predomina a mão-de-obra feminina apresenta muita rotatividade, precarização das condições de trabalho e dos direitos, e não-investimento na qualificação das trabalhadoras. Resultado: baixos salários, não-profissionalização (por falta de capacitação) e falta de perspectiva de mercado e de crescimento pessoal.
“Por isso a questão da qualificação é, hoje, essencial dentro do mundo do trabalho feminino”, diz Mônica Custódio, diretora do Sindimetal e da Executiva da CUT-RJ. “E os empresários precisam participar desse processo, elevando o nível de escolaridade e de profissionalização.”
Raimunda Leone, da Executiva do Sindimetal, diz que, em absolutamente todos os números, a mulher negra é mais penalizada: ganha menos, é mais discriminada, é mais vítima de homicídios, de assédio moral e de violência sexual. No Rio de Janeiro, a maioria das metalúrgicas são negras. “Por isto a Secretaria da Mulher do Sindimetal atua em três frentes básicas”, diz Raimunda: “Na questão trabalhista em si (direitos e melhores condições de trabalho), na questão de gênero (contra a discriminação da mulher) e de etnia/raça (contra a discriminação de cor)”.


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