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Mulher trabalhadora

No Brasil, pobreza é jovem e feminina
Mais da metade dos pobres brasileiros são mulheres. E 40% têm menos de 15 anos

É no mínimo devastador o primeiro relatório feito a partir do cadastro único dos programas sociais do governo. Ele confirma o que muitos sabem, mas pouco se comenta: a maioria dos pobres brasileiros são crianças e adolescentes. Cerca de 40% têm menos de 15 anos. 56% são analfabetos. E mais da metade são mulheres. O cadastro inclui oito milhões de famílias.
Os dados comprovam que o Brasil está condenando seus jovens à injustiça social. E, na questão feminina, evidenciam o que todos também sabem: as mulheres são as que mais sofrem com o desemprego e a recessão, ganham menos que os homens pelo mesmo trabalho, ocupam menos cargos de chefia e sofrem vários tipos de discriminação, como assédio sexual e moral. E a mulher negra é ainda mais penalizada. Pesquisas demonstram (ver gráfico) que, em todas as comparações, as negras levam desvantagens.
“Na área metalúrgica não é diferente”, denuncia Raimunda Leone (foto), da Secretaria da Mulher do Sindimetal-Rio. “As mulheres ganham menos, ocupam os postos mais precários (mesmo tendo maior escolaridade) e, quando a companheira é negra, sofre também discriminação racial e as demais discriminações vêm com ainda mais agressividade.”
Até 98, as mulheres eram cerca de 17% da categoria metalúrgica, no Rio de Janeiro. “Mas este percentual deve ter diminuído com a falência do setor de eletro-eletrônico”, acredita Raimunda. As ações do Sindimetal em defesa das mulheres englobam a apuração e punição de denúncias, até a discussão e elaboração de políticas municipais e estaduais de gênero.
Este ano, o Sindimetal também lançou a Campanha de Sindicalização da Mulher. O objetivo, além de fortalecer a entidade, é “conhecer melhor a realidade das companheiras e desenvolver ações de acordo com essa realidade”.
No dia 15 de julho passado, o presidente Lula assinou decreto que Institui o Grupo de Trabalho Interministerial com o fim de elaborar o Plano Nacional de Políticas de Gênero. As políticas serão elaboradas em conjunto com sugestões da União Brasileira de Mulheres. A UBM realizou, no final de julho, em Brasília, um encontro para discutir sugestões. Raimunda Leone participou de encontro, que, entre outras sugestões, manteve os objetivos de campanha lançada este ano (ver página ao lado).

Proteja-se do assédio moral

Pesquisa feita em 2000 revelou que 42% dos trabalhadores brasileiros sofrem humilhações no trabalho. Em outras palavras, sofrem de assédio moral, que pode ser definido como uma violência psicológica contra o empregado. As mulheres são as maiores vítimas também deste assédio. Eis alguns exemplos dele: expor o funcionário a situações humilhantes; exigir metas inatingíveis; delegar cada vez menos tarefas, alegando incapacidade do trabalhador; negar folgas e emendas de feriado, quando outros empregados são dispensados; agir com rigor excessivo e reclamar de problemas de saúde.
Uma das principais causas deste assédio é financeira: o empregador cria uma situação insustentável que obriga o funcionário a pedir demissão, para não arcar com as despesas trabalhistas.
Entre as pessoas que mais sofrem humilhações, estão as que adoecem por conseqüência do trabalho; as que têm mais de 35 anos e são consideradas velhas em alguns ambientes; as que têm salários altos; e os representantes de associações e sindicatos.
Quem estiver sofrendo deste assédio deve procurar o RH da empresa. Se o chefe direto for o dono da empresa, aconselha-se pedir demissão e recorrer à Justiça. Antes de demitir-se, o funcionário(a) precisa reunir o maior número de provas possível, que caracterizem o assédio: e-mails com o chefe tirano e testemunhos de outros funcionários que tenham presenciado cenas de humilhação.

UBM lança campanha

A União Brasileira de Mulheres (UBM) lançou este ano a “Campanha pela valorização do trabalho das mulheres”. Como a situação da mulher é também conjuntural, muitas das reivindicações e objetivos são comuns a todos os trabalhadores. Entre os objetivos, estão:
1 - Desenvolvimento econômico nacional, voltado para o mercado interno, com distribuição de renda e riqueza;
2 – lutar contra o desemprego e participar da campanha pela redução da jornada de trabalho sem redução do salário;
3 – Pelo aumento do salário mínimo e pela aplicação da convenção 100 da OIT – salário igual para o mesmo trabalho;
4 – Lutar contra a precarização e flexibilização dos direitos trabalhistas;
5 – Lutar para que o trabalho no âmbito doméstico e familiar seja compartilhado e de responsabilidade também do Estado, por meio de políticas públicas: que não seja uma dupla jornada de trabalho para as mulheres;
6 - Participar da campanha do primeiro emprego também para a mulher jovem.

Órgãos de apoio e defesa da mulher

Centro Integrado de Atendimento à Mulher - – CIAM. Fones (21) 2299-2121 e 2299-2122.

Conselho Estadual dos Direitos da Mulher
R. Camerino, 51 - Gamboa – Centro - Rio de Janeiro/RJ. Fone: (21) 263-3815, 283-0617, 263-0004 Fax: 263-4485
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