2006:
Ano de grandes desafios
Maurício Ramos Presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro
Mantendo
sua tradição desde a fundação
do seu sindicato, em 1917, os metalúrgicos do Rio
e Baixada Fluminense sustentam com todas as suas forças,
a bandeira de luta pelo desenvolvimento nacional, por emprego,
distribuição de renda e pela democracia.
Vários foram os momentos na história do nosso
país, em que os metalúrgicos defenderam a
soberania, o desenvolvimento industrial, a democracia e
a valorização do trabalho. Fomos às
ruas defender a criação da Companhia Siderúrgica
Nacional, a criação da PETROBRÁS, e
o envio de tropas brasileiras para o combate ao fascismo
de Hitler. Foi em nosso sindicato que se realizou a 1ª
Conferência Nacional que tratou da aposentadoria especial
para os trabalhadores que labutavam em ambiente insalubre
e com periculosidade. Podemos ainda destacar o papel dos
metalúrgicos na conquista do 13º salário
e do direito às férias.
Ao lado de trabalhadores como bancários, sapateiros,
químicos, comerciários e outros, e também
de intelectuais, artistas e democratas, lutaram contra a
ditadura, sofrendo duas intervenções militares
em seu sindicato, com prisões, tortura e mortes.
Lutaram pela anistia, pelas Diretas Já, e pela Assembléia
Nacional Constituinte, onde mais uma vez, um metalúrgico
do Rio de Janeiro, funcionário da Sulzer do Brasil,
Deputado Federal Edmilson Valentim, ao lado de outro metalúrgico
do Rio Grande do Sul, Paulo Paim, aprovou a redução
de jornada, de 48 para 44 horas semanais.
Após mais de 500 anos de governos sob a dominação
das elites brasileiras, submissas ao capital estrangeiro
– sobretudo os americanos – os metalúrgicos
do Rio e da Baixada deram sua contribuição
para a eleição de Lula à Presidência
da República, um filho do povo, nordestino e metalúrgico.
Lula, eleito e empossado, mesmo sem ter maioria na Câmara
e no Senado, sem fazer alarde e sem bravatas, inviabilizou
a ALCA – Acordo de Livre Comércio das Américas,
com o que os Estados Unidos pretendiam anexar todos os países
da América, transformando-os em seu quintal. Não
permitiu que os americanos instalassem uma base militar
em Alcântara, no Maranhão; apoiou a Venezuela
contra o golpe de estado patrocinado pelos EUA; foi firme
contra a Guerra do Iraque e fortaleceu o Mercosul contra
a hegemonia americana.
Internamente, Lula se esforça para criar as bases
para redirecionar o país no rumo do crescimento econômico,
do emprego e da diminiuição da miséria.
Esta postura ganhou prestígio junto à população
e incomodou as elites neoliberais, em particular, o Império
Americano, que no Brasil tem um forte esquema ligado a mídia
e a partidos como o PFL e o PSDB e personalidades como FHC,
Serra, ACM e outros.
Para nós, metalúrgicos, o governo Lula trouxe
crescimento econômico para o nosso estado, com a construção
do Pólo-Gás Químico das plataformas,
siderúrgicas e de mais uma refinaria. Isso resulta
no aumento dos empregos. A construção imediata
dos 26 navios da Transpetro (de um total de 42) vai provocar
um reaquecimento do setor naval, e gerar melhorias na qualidade
de vida dos trabalhadores da nossa base.
Entretanto, bastou um erro para que a elite retomasse a
ofensiva contra o governo e os partidos de esquerda: PT,
PSB e PCdoB, sobretudo o PT, principal partido de sustentação
do governo.
Os metalúrgicos não morderam a isca. Mais
uma vez, foram às ruas, inclusive a Brasília,
sustentar a luta pelo desenvolvimento econômico contra
as elevadas taxas de juros e em defesa do governo do Presidente
Lula, eleito por mais de 52 milhões de brasileiros.
Em 2006, mantendo sua tradição, os metalúrgicos
do Rio e Baixada Fluminence enfrentarão os desafios
da luta salarial contra o conservadorismo do grupo 19 da
FIRJAN e tudo farão para manter o país no
rumo do desenvolvimento do emprego e impedir a volta da
direita ao poder central.
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