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Possibilidade de aumento real se amplia
DIEESE afirma que a tendência atual é de se repetir os bons números de 2004

A pesquisa sobre o comportamento dos reajustes salariais no ano de 2004, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos – DIEESE em março deste ano, mostra que 81% dos reajustes salariais no ano passado foram feitos acima dos índices de inflação. Os resultados foram extraídos do Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS-DIEESE), um painel de base móvel no qual são registrados os resultados das negociações coletivas realizadas entre sindicatos de trabalhadores e empresas ou suas entidades representativas.

Em 2004, o painel cobriu 658 unidades de negociação. Em 532, os resultados foram iguais ou superiores às variações da inflação acumulada em cada data-base, de acordo com o INPC-IBGE (quadro I), índice usualmente adotado como referência nas negociações coletivas do setor privado do país. As informações referem-se aos setores privado e estatal urbanos.

Já na comparação com o ICV-DIEESE, observa-se que em 74% dos casos o reajuste foi igual ou superior a inflação acumulada na data-base. As negociações com resultados inferiores ao ICV-DIEESE representam 27% do total (quadro 2).

Constam do painel categorias profissionais expressivas do universo de trabalhadores de diferentes atividades, com marcante presença na ação sindical, tanto na atualidade quanto historicamente. Do ponto de vista geográfico, o painel cobre todas as regiões do país. A diversidade, a representatividade na ação sindical e a distribuição geográfica são características da composição do painel a partir das quais se pressupõe uma efetiva capacidade de revelar o sentido dos resultados da ação negocial do período em observação.

Das 658 informações analisadas pelo DIEESE, 489 eram convenções coletivas de trabalho – contratos firmados entre sindicatos de trabalhadores e sindicatos de empresas – e 169, acordos coletivos de trabalho – contratos entre sindicatos de trabalhadores e empresas.

Mais da metade (53%) das categorias profissionais compreendidas no painel pertence ao setor industrial. O setor de serviços figura em 37% dos registros, enquanto o comércio está presente em 10%. Das unidades de negociação que compuseram o painel, as entidades sindicais de trabalhadores conseguiram ganhos salariais reais em 55% das ocorrências, enquanto a reposição exata das taxas de inflação acumulada teve vez em 26% dos casos. Por outro lado, em quase um quinto das negociações (19%) estabeleceram-se reajustes que não recompuseram as perdas apuradas.

Considerados sob a ótica da atividade econômica, os resultados das negociações reafirmam expressiva recomposição salarial em todos os setores. Na indústria, os resultados iguais ou superiores ao INPC-IBGE atingiram 87% das negociações. Já no comércio, essas ocorrências representaram 82% do total e no setor de serviços, 71% dos acordos.

No setor de serviços, 29% do total das negociações não recompuseram o poder de compra dos salários com base no INPC-IBGE, superando significativamente a média do setor industrial – que foi de 13% - e a do comercial, correspondente a 18%.
Das 658 unidades de negociação do painel, 92% garantiram aos trabalhadores o pagamento à vista da correção salarial pactuada. Em 7% dos registros, as correções acordadas foram divididas em parcelas. Entretanto, na grande maioria desses casos (88%) previu-se a incorporação integral do índice aos salários já na segunda parcela.

Segundo Jardel Leal, pesquisador do DIEESE/RJ, existe uma forte tendência dos acordos salariais de 2005 repetirem os índices de 2004. Os bons resultados do ano passado, a perspectiva de queda da inflação e o crescimento da economia brasileira (no que pese a desaceleração desse crescimento, verificada nas últimas projeções do PIB acumulado) são fatores que impulsionam a possibilidade de ampliar os acordos com aumento real dos salários. “Com os aumentos do ano passado, e o fortalecimento da economia nacional, os trabalhadores passaram a ter maior poder de compra, o que também levou a um aumento do lucro das empresas e da oferta de produtos. Ao mesmo tempo, com as vitórias obtidas, os sindicatos se fortaleceram, fazendo crescer o nível de atividade nos locais de trabalho”, pondera Jardel.

Essa situação permitiria aos sindicatos aumentar a pressão por mais aumento real e maior participação nos lucros das empresas. Outra questão importante é relativa às negociações que deverão ser feitas neste ano. “Toda negociação é feita com base nos números do ano anterior. Em 2004 usamos os números de 2003, conseguindo atingir o patamar de mais de 80% de acordos iguais ou superiores à inflação do período. Agora em 2005 usaremos como comparação os números do ano passado, bem melhores que os de 2003. A perspectiva de melhoria dos acordos se torna ainda maior”, admite o pesquisador.

 


 

 

 

 


 

 

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