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Trabalhar sim!
Adoecer, não!

Sub-notificação de Acidentes de Trabalho atrapalham estatísticas oficiais

Embora a Constituição de 1988 traga em seu artigo 7º, inciso XXII, a resolução de que “...todo trabalhador tem direito à redução de riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança...”, em 2003, por exemplo, foram registrados oficialmente 390.180 acidentes no País. A grande maioria, 221.603, está concentrada na Região Sudeste. São Paulo é o líder, com 146.705 casos, seguido por Minas Gerais, com 40.275; Rio de Janeiro, com 26.288 e Espírito Santo, com 8.835. Naquele ano, 12.038 dos acidentes resultaram em incapacidade permanente e 2.753 em mortes. Isso significa nada menos que 230 óbitos por mês ou mais de sete por dia.
No que diz respeito à nossa maior preocupação – a SUB-NOTIFICAÇÃO – esses números, embora dramáticos, revelam apenas uma parte da realidade. A sub-notificação mascara a verdadeira realidade. É comum os empregadores não reconhecerem determinadas doenças como oriundas do ambiente de trabalho. E assim o fazem para não terem que arcar com direitos trabalhistas durante o período de afastamento, como recolhimento do FGTS, estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno ao trabalho, entre outros.
Para se ter uma idéia do tamanho da sub-notificação, basta dizer que em 2003 foram concedidos 1.371.221 benefícios, a título de auxílio-doença comum, contra 145.769 por acidente de trabalho.
É necessário, que além de combater as relações de trabalho precárias e informais, lutemos para garantir a todos os trabalhadores, condições de trabalho saudáveis e isentas de agentes nocivos à saúde humana.

DRT realiza trabalhos de fiscalização e controle de acidentes
Dra. Lívia Arueira - Delegada Regional do Trabalho Rio de Janeiro

“O maior problema encontrado pela DRT é que ainda trabalhamos com uma sub-notificação importante. A legislação manda que todos os casos sejam comunicados logo após a sua ocorrência, mas o que temos são apenas as notificações dos casos que ocorreram há mais de 15 dias. Além disso, o Sistema Único de Saúde não consegue identificar nem acidentes, nem algumas doenças como sendo causadas pelo trabalho. Com isso, aumentam ainda mais os casos de sub-notificação.
Temos trabalhado em nível nacional, e a DRT mantém a mesma linha. Nós analisamos sempre os casos mais graves ou fatais, e os acidentes que possam causar redução da capacidade dos trabalhadores. Também fazemos inspeções em empresas onde ocorram acidentes graves, mesmo que eles não venham a causar danos aos trabalhadores. Por exemplo, um guindaste caiu na SERMETAL. Nós estivemos lá, e fizemos uma vistoria, porque, apesar de não ter tido vítimas, isso é um indicativo de que algo não vai bem naquela empresa.
Como os acidentes são questões traumáticas, temos encontrado muita dificuldade em penetrar nas empresas. Mas, vamos continuar a analisar as empresas como um todo, e a desenvolver projetos em conjunto, visando evitar acidentes, elaborando metas e objetivos. Em contrapartida, estaremos realizando visitas rotineiras em todas as principais empresas de todos os setores, para fiscalizar o cumprimento das metas já estabelecidas.
Além da fiscalização, tentamos também realizar um trabalho de prevenção em conjunto com as empresas. Normalmente, fazemos reuniões com os Sindicatos Patronais e de trabalhadores, para discutir com eles os principais problemas de cada setor. Ouvimos quais são os maiores problemas e tentamos trabalhar juntos a busca de soluções. A prevenção desses acidentes, e a diminuição dos índices continuam sendo as nossas metas para o próximo ano”.

Metalúrgicos em busca de melhores condições de vida
Jorge Gonçalves - Diretor do Depto. de Saúde do Trabalhor do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro

Os acidentes de trabalho provocam danos à saúde física e mensal dos trabalhadores. Levam à exclusão social, causam sofrimento, morte ou invalidez, levando a aposentadorias precoces, diminuição ou perda da renda, com alto custo social. Dois milhões de pessoas morrem por ano no mundo, enquanto trabalham. E destas, 12 mil, absurdamente são crianças. Os acidentes e as doenças do trabalho atingem milhares de trabalhadores todos os dias, trazendo enorme sofrimento para suas famílias e prejuízos irreparáveis para si mesmos.
Por esse motivo, a direção do Sindimetal Rio fez questão de ter firmado no acordo coletivo, a cláusula 59 que, entre outros motivos, nos daria a possibilidade de pautar os casos de sub-notificação, que são uma das nossas maiores preocupações. Trataremos com o patronato, as questões relativas às doenças profissionais e acidentes de trabalho. Para isso, faremos algumas reuniões com palestras, para preparar os companheiros cipeiros, as comissões de fábrica e a diretoria, visando melhor condição de vida e trabalho para nossa categoria.

 

 

 

 


 

 

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